Petrobras só quer ver a “PetroAmérica” de binóculos

O discurso de apoio irrestrito à integração sulamericana, recorrentemente entoado pelo presidente Lula, vale apenas para os microfones. Pelo menos no que diz respeito à Petrobras. No início de outubro, os governos da Venezuela, Argentina, Equador, Bolívia e Brasil retomaram as negociações para uma parceria multilateral em exploração e produção de gás e petróleo. A participação brasileira, no entanto, não passa de jogo de cena. Não obstante o alinhamento com os países vizinhos, sobretudo com o presidente venezuelano Hugo Chávez, o governo brasileiro pretende sair à francesa das discussões. A principal resistência ao projeto parte da própria Petrobras.
A direção da estatal é contrária à participação da empresa neste comboio petroleiro. Os argumentos são diversos. A operação guarda conflitos com a estratégia da empresa, que tem privilegiado parceiros norte-americanos e europeus em seus investimentos em exploração e produção. Ao mesmo tempo, a estatal tem dúvidas quanto ao êxito da empreitada. Entre as razões para o ceticismo estão o elevado endividamento da PDVSA e as limitações financeiras da argentina Enarsa, duas das estatais escaladas para a operação.
Na avaliação da diretoria da Petrobras, as costumeiras idiossincrasias nacionalistas de Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa são também um potencial empecilho para atividades de exploração em algumas regiões, principalmente na Venezuela e na Bolívia. O modelo em discussão prevê a associação entre PDVSA, Enarsa, Petroecuador e YPFB, provavelmente por meio de uma Sociedade de Propósito Específico. Esta SPE é vista pelos vizinhos sulamericanos como uma proxy da “PetroAmérica”, antigo projeto que tem o presidente Hugo Chávez como um dos maiores entusiastas.
Não por acaso, se a operação deslanchar, a tendência é que a PDVSA subsidie parte dos investimentos que caberão à YFPB e à Petroecuador. O foco da associação é a exploração da faixa do Orinoco, na Venezuela, e de reservas de gás no sul da Argentina e na Bolívia.
Fonte: www.relatorioreservado.com.br
11/3/2009 11:23:15