Crédito do BNDES vira “hedge cambial” para exportadores

O BNDES vai acabar se tornando o “Banco Nacional do Empréstimo Subsidiado”. No caso, faltaria mais um “E” de exportação ao acrônimo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pretende que mais de 20% do reforço orçamentário do banco para 2010 sejam destinados às exportações com taxas altamente favorecidas. A ideia é que estas linhas de empréstimo sejam compensatórias do câmbio apreciado que deverá dar a tônica do comércio exterior no ano que vem.
Mantega não acredita que as medidas de liberalização cambial em gestação no Banco Central surtam efeito porque, a exemplo dos exportadores que têm conta corrente no exterior, os bancos e outros agentes farão a arbitragem entre o diferencial da taxa de juros e da valorização da moeda.
O caminho para aumentar a “síndrome do real forte” seria dar dinheiro barato aos exportadores. A Fazenda ainda analisa se os recursos seriam emprestados diretamente pelo BNDES ou através de um Eximbank, no fim das contas uma corruptela do banco de fomento, uma vez que a operação ficaria sob sua gestão.
No ministério, estuda-se também colocar na proposta um penduricalho ambiental como condicionalidade para os financiamentos subsidiados, a exemplo do chamado “IPI verde” criado para os fabricantes de eletrodomésticos da linha branca. A medida não chega a cindir o pensamento da Fazenda e do BNDES, mas deixa brechas para discordâncias.
O presidente do banco, Luciano Coutinho, é um estruturalista convicto. Além disso, ele está bastante preocupado com os efeitos do câmbio tanto do ponto de vista da desindustrialização quanto do impacto no saldo da balança comercial. Coutinho teme que, no ano que vem, com a possibilidade de um câmbio entre R$ 1,50 e R$ 1,60 e um crescimento da economia da ordem de 5%, o superávit comercial se evapore. Ao mesmo tempo, o presidente do BNDES acha que o governo tem de aumentar sua preocupação fiscal.
Em suma: ele não desgosta da ideia de ver o BNDES novamente como o banco do subsídio, oferecendo linhas de financiamento com algumas das taxas mais baixas do mundo. O problema é saber de onde esse dinheiro vai sair.
Fonte: www.relatorioreservado.com.br
4/11/2009 08:23:40