Gripe suína deixa sequelas nas contas da Amil

Os executivos da Amil estão preocupados com sua própria saúde. É dolorosa, quase febril, a pressão do empresário Edson Bueno para que a companhia estanque a hemorragia de custos e de lucros que vem sofrendo ao longo deste ano. O bisturi está afiadíssimo. Nos últimos três meses, a empresa teria feito cerca de cem demissões na área administrativa.
Em outro front, vem renegociando com algumas grandes redes hospitalares o valor dos repasses pelo atendimento. Os médicos e hospitais credenciados também estariam sendo orientados a adotar critérios mais rígidos para a prescrição de exames clínicos, evitando procedimentos considerados desnecessários.
Procurada pelo RR - Negócios & Finanças, a Amil não se pronunciou alegando estar em quiet period, por conta da divulgação dos resultados do terceiro trimestre prevista para a
próxima semana. A reestruturação financeira teve impacto sobre os planos de expansão da Amil. Não obstante ter em caixa R$ 1 bilhão, a empresa teria freado o ritmo das negociações para a compra da Medial Saúde.
O que mais tem causado dores de cabeça à empresa é o aumento dos índices de sinistralidade. No segundo trimestre do ano, a taxa chegou a 69,3%. O número foi quase três pontos percentuais superior ao de junho de 2008 – 66,6% –, que a própria empresa já havia classificado como alto em seus demonstrativos financeiros. Este foi o índice mais agudo desde que a operadora de planos de saúde abriu seu capital, há dois anos.
O grande inimigo foi a gripe suína, que fez explodir o número de atendimentos em um espaço curto de tempo. O salto da sinistralidade infectou os resultados da empresa. No primeiro semestre deste ano, a queda do lucro foi de 59%. No segundo trimestre, período mais afetado pela corrida aos hospitais, o impacto foi ainda maior: os ganhos da Amil caíram 98% em relação ao mesmo período de 2008.
O cenário não é o mais amistoso para as operadoras de planos de saúde. O setor ainda sofre com o carry over da temporada de demissões na economia iniciada no último trimestre de 2008. Que o diga a Amil.
Os novos beneficiários não foram suficientes para compensar as deserções. No primeiro semestre, o número de clientes subiu apenas 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho de 2008, a carteira havia crescido 37%.
Fonte: Relatório Reservado
5/11/2009 14:42:45